Entre habitar e coletar
Meu trabalho se desenvolve entre a invenção e a observação. Em alguns projetos, construo imagens a partir de performances, intervenções e encenações realizadas principalmente no espaço doméstico. Em outros, caminho pela cidade recolhendo vestígios, objetos abandonados e descartados e situações encontradas no cotidiano.
A casa como laboratório
Na casa, utilizo a encenação, a performance e a transformação de objetos cotidianos para investigar vínculos, mudanças, desejos e modos de habitar. Busco criar situações em que ideias e experiências possam ser vividas fisicamente, transformando o espaço doméstico em um campo de experimentação e imaginação. Grande parte dessa produção é atravessada por uma pergunta recorrente: o que significa habitar?
A cidade como arquivo
Na cidade, desenvolvo trabalhos baseados na observação e na coleta de vestígios encontrados durante caminhadas. Objetos abandonados, estruturas urbanas e fragmentos do cotidiano tornam-se pontos de partida para refletir sobre memória, ausência, descarte, poder e permanência. Nesses trabalhos, procuro compreender o que as coisas revelam sobre as relações que as produziram, orientado por outra pergunta central: o que as coisas contam sobre aquilo que não sabemos?
Duas vertentes, um propósito
Embora partam de procedimentos distintos, essas duas vertentes compartilham um interesse comum. Seja transformando conceitos em situações visíveis ou observando rastros já presentes na paisagem urbana, procuro investigar como vínculos, ausências, desejos e formas de habitar o mundo se tornam perceptíveis por meio de corpos, objetos e espaços.
Mais do que representar acontecimentos, meu trabalho se volta para aquilo que permanece depois deles. Me interessa a capacidade dos corpos, dos objetos e dos espaços de conservar sinais de histórias que não podem ser totalmente reconstruídas, mas que continuam presentes em seus vestígios e fabulações.
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